Nessa madrugada fiquei assistindo filmes de guerra. A princípio "Platoon" não me conquistou pelo protagonista, Charlie Sheen para mim vai ser sempre ator de comédia, mas o filme cativa pelos personagens secundários. Encurtando, o que me balançou mais foi o personagem de Willian Defoe, Elias (pronuncia-se Eláias) e a cena de sua, apesar de injusta, magnífica "morte", a morte ficou implícita, que eu resolvi narrá-la em primeira pessoa por minha perspectiva, com Elias sendo o "eu".
Levanto e encaro a visível diferença. São dois pelotões de seis soldados, um comandado por mim e o outro por Barnes, aquele assasino brutal e psicopata, contra homens tentando proteger suas mulheres, seus filhos e suas dignidades.
Aqui, é tudo muito de surpresa, há uma emboscada quase em cada árvore, atrás de cada pedra. Depois de três anos consegui reflexos, desconfiança, destreza e várias balas no corpo para reagir até à minha sombra.
Acabo de inspecionar a casamata e saio. Na selva, o barulho das metralhadoras e a minha adrenalina se intensificam. Vejo Taylor, fico sabendo das perdas, muito significantes, Barry sumiu, Lernes morreu. Com os de Barnes temos 4 perdas.
Depois de várias balas e bombas a situação enfim se estabiliza, estamos equilibrados em número de combatentes. Daqui, eles resolvem sozinhos, vou cobrir o flanco esquerdo. Sou parado por Taylor que se oferece para vir comigo, mas retruco com um sorriso na cara: "Sou mais rápido sozinho garoto", e sigo para o flanco.
Oh "merda"! Meus olhos se enchem de lágrimas, após dez minutos correndo não há mais o que cobrir, e nem quero fazer a contagem dos mortos enquanto viro um também, só me resta voltar para os outros.
Corro, averiguo e para minha satisfação já voltaram, para minha decepção acham que estou morto.
Percebo um vulto agachado no matagal, me aproximo para ter mira mais precisa e... Barnes! Impregnado de morbidez demonstra um sorriso de diversão no rosto que se mantém atrás da mira da metralhadora. Não quero crer. Com a guarda baixa e as mãos soltas levo dois tiros do meu parceiro mais "filho da puta".
Ainda consciente eu vejo Taylor peguntar por mim e Barnes com convicção mentir que morri. Não me arrependo nenhum pouco da surra que dei semana passada em Barnes, só me arrependo de não tê-lo matado. Ouço pegadas rápidas no mato, os vietcongues nos querem de qualquer forma! Largo minhas armas no chão, retiro todo peso que tenho e corro desleixado pela dor, mas vivo. Dá para ver Taylor e Barnes muito mais ágeis na minha frente. O barulho das bombas abafam meus gritos de desespero. Eles chegam no ponto, apanham os feridos, botam dentro do helicóptero e saltam para dentro juntos.
Cada passo meu corresponde a cinco dos vietcongues, minha expressão é de um rosto desfigurado por medo e nervosismo, não posso deixar ser pego, o helicóptero tem que voltar! Taylor e King me avistam, gritam por mim. Eles me alcançaram. Caí. As bombas explodem ao meu lado, há sangue em minha boca, areia em meus olhos. Levanto-me, sou perseguido como a única bala de um louco suicida. Corro para campo aberto. Sinto algo quente me perfurando em vários locais, espasmos de dor, meu corpo se contorcendo. Caio novamente no chão. Rastejo até ver o helicóptero dando a volta e indo embora.
Em meio a vietcongues e coqueiros finco meus joelhos no chão, sou atingido por munição de inimigos e aliados.
Chorando de medo, com o corpo em choque pela dor, deixo escapar o derradeiro desejo. Inclino a cabeça para trás, levanto os braços e, calado, peço para Maria Mãe, se a Senhora suporta as labaredas do inferno, por favor, pode me cubrir com seu véu e me acalentar no meu destino final?
Caio pela última vez.
P.S.: quem quiser ver parte da cena descrita tá aqui o link no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=Ue8VS-bcj88&feature=related
P.S2: se possível assistam e vejam as atuações espetaculares ^^.
P.S3: tá muito grande --'.